Ontem assisti, por via da televisão, a um excelente jogo táctico de ambas equipas. Foi, se assim quisermos dividir, um distinto jogo de duas partes:
A primeira parte, onde uma substituição do árbitro principal foi o início da voz que se anunciava que este jogo seria para mais tarde recordar. Então assistimos à melhor exibição do Sporting no campeonato, só manchada pela impensável decisão de validar um golo com dois erros crassos, a saber – no lance é falta sobre o guarda-redes vimaranense e a bola não chega a entrar na baliza – mau demais para ser visto nos relvados portugueses e numa competição que se quer profissional. Em abono da verdade bem que gostaria de ter visto alguém do Sporting a ajudar o árbitro explicando-lhe que assim não vale.
Depois veio a segunda parte, num jogo partido de ataque dividido onde mais golos podiam ter acontecido, tudo isto, claro, com inúmeras oportunidades falhadas. Até que, a provar que, no melhor pano cai a nódoa, um jogador experiente tem uma atitude infantil, muito próxima daqueles jogos lá da minha rua nos tempos da minha juventude, que dá um pontapé a um colega de profissão, em resposta a uma cotovelada involuntária. Imprevisível e estúpida acção, com consequências óbvias para o clube da casa, que a jogar com menos um jogador perdeu a força anímica, de fugida para o adversário, e já em perda física viu o seu próprio barco afundar-se à conta de uns piratas (no melhor sentido) que jogaram futebol de uma forma fantástica, cheios de força anímica e com grande rigor táctico, e que demonstraram como se joga em contra-ataque. E de 2-0 se passou, rapidamente, para um 2-3 pouco esperado pelas hostes sportinguistas.
Cabe-me realçar, num todo, o excelente jogo de futebol praticado no campeonato português que trouxe também ao de cimo a falta de cultura desportiva dos adeptos que vão ao estádio, apenas e só, para verem o seu clube ganhar custe o que custar, não dando o merecido valor a um adversário digno, eficaz e que assumiu uma personalidade de um grande clube que o é.
Em prol do bom futebol, venham mais jogos destes, que, com estes ensinamentos, talvez a nossa visão tacanha de “clubite” se alargue para uma visão estrutural, de espectáculo e essencialmente de paixão ao futebol, que, esse sim, deverá estar sempre acima do clubismo.
Parabéns ao Vitória de Guimarães e obrigado pela excelente lição táctica e de postura que deixou na capital, esperando, com isso, que a mesma sirva os interesses do futebol nacional num futuro que se quer próximo.
Eduardo Montepuez
9 de Novembro de 2010