O blogue serve para dar voz e partilhar os meus escritos sejam poemas, prosas e crónicas ou outro qualquer género literário. Aqui também se divulgam os meus livros. Para quem quiser ler-me... Obrigado pela vossa carinhosa presença!
02 de Novembro de 2010

2.


António eu acho que devemos continuar a nossa interessante conversa num local mais apropriado, como é, por exemplo, a Sala Nobre do Palácio da Quinta da Piedade e até podemos trazer, para a conversa ou debate, mais autores até através da Internet, o que acham? – perguntei eu.

Parece-me bem. – respondeu a Ana de imediato

Pois eu também concordo, assim abríamos o debate aos nossos amigos da escrita. – disse a Manuela.

E tu o que achas? – perguntou o Afonso olhando para o Jeremias.

Bem! Eu adoro estas iniciativas, estar nesses espaços, ir onde a minha palavra me levar, por isso, só poderia concordar com tal ideia. – disse o Jeremias

Muito bem. Vou falar com a Dr.ª Rosalinda para tratar de marcar o espaço, arranjar uma data e hora e para providenciar a vídeo – conferência aberta a quem quiser participar. Ou então, podemos fazê-lo on-line no nosso espaço da escrita – o Luso-poemas – se todos estiverem de acordo. – disse eu.

- Claro que estamos todos de acordo. – respondeu agora o António como se já tivesse o consentimento prévio de todos.

Ok! Amanhã, depois do trabalho, encontramo-nos novamente aqui para definirmos as coisas. – Disse eu.

Cada um, após a saudada despedida, seguiu o seu caminho.

 

O dia seguinte.

 

Após meu trabalho, dirigi-me ao Salão Nobre do Palácio da Quinta da Piedade onde a Dr.ª Rosalinda esperava por mim. Durante a minha hora do almoço telefonara para acertar os detalhes da reunião e encontrara uma fantástica abertura por parte da Dr.ª Rosalinda que era a responsável pelo total dos espaços que ali existiam. Um Palácio enorme com um notável conjunto, hoje património municipal e classificado como Imóvel de Interesse Público, com um solar com características do século XVIII e interiores forrados de azulejos da época, zonas de lazer com lagos e fontanário e diversas capelas (Igreja de Nossa Senhora da Piedade, Ermida de Nossa Senhora da Piedade, Ermida do Senhor Morto e Oratório de São Jerónimo), sendo a primeira do século XVIII e as restantes quinhentistas. Estando ainda em funcionamento na Quinta uma biblioteca infanto-juvenil e uma galeria de exposições.

Enquanto conduzia em direcção aquele espaço maravilhoso, recordava as suas origens que remontam ao século XIV, quando foi instituído o Morgadio da Póvoa por Vicente Afonso Valente, cónego da sé de Lisboa. A história da Quinta está estreitamente ligada à história da Póvoa de Santa Iria, durante muito tempo chamada de Póvoa de D. Martinho de Castelo Branco, sétimo senhor da Póvoa e primeiro conde de Vila Nova de Portimão.

O património edificado actualmente existente na Quinta testemunha os diferentes períodos históricos e vivências que este espaço atravessou. Se, por um lado, são ainda visíveis os vestígios das edificações renascentistas – portal e placa epigrafada da antiga capela de Nossa Senhora da Piedade (1531) e oratório dedicado a S. Jerónimo – é do século XVIII que data o conjunto patrimonial mais notável da Quinta. As campanhas de obras do século XVIII, impulsionadas por D. Pedro de Lencastre Castelo Branco, quinto conde de Vila Nova de Portimão, originaram a construção da igreja de Nossa Senhora da Piedade, a ampliação do palácio e a sua decoração.

Mas depressa cheguei, devido ao pouco trânsito rodoviário, interrompendo assim o passeio memorial.

De sorriso, sempre aberto e espontâneo, já me esperava a Dr.ª Roselinda. Rapidamente fizemos a reunião, no que concerne aos acertos do tal evento, ficando depois em amena conversa sobre a nossa literatura. O tempo, esse incrédulo obstáculo, ficava definitivamente para segundo plano. Eram momentos destes que seduziam o meu amor pela palavra quer fossem pela forma oral ou através da escrita.

Depois de tudo acertado fui ter com os meus amigos, tal como combinado no dia anterior, para partilhar as boas novas e providenciarmos novas metas.

Ao chegar, já todos me esperavam, impacientemente, para saberem o que tinha acontecido na reunião. Contei-lhes tudo em pormenor.

Ficou combinado que teria que partilhar tudo no site Luso-poemas abrindo assim a possibilidade dos lusos em participar naquele evento devidamente preparado e tão desejado.

A data já estava marcada para o sábado seguinte com início previsto para as 15 horas.

 

O tal sábado seguinte.

 

Ainda não havia muita gente on-line apesar de já serem 15 horas. A expectativa, essa era enorme, e por parte de todo o grupo que iniciará esta aventura.

Foi colocado na primeira página do site, um texto de introdução, para atrair os usuários. Mas com o tempo a passar e sem que ninguém se atravesse a participar, apesar das leituras, até que eu avancei com o primeiro comentário, abrindo assim, as hostes para a participação massiva, e logo, com o seguinte comentário:

- António, Ana, Afonso, Manuela e Jeremias, eu bem que vos avisei, que ninguém participa porque este texto é demasiado grande... – escrevi numa entoação de provocação.

 

Intervalo

 

Esta história está a ser escrita. Está, portanto, em aberto e irá continuar, mas agora é a vez de quem lê ter a palavra… por favor, escrevam o que entenderem partilhar.

 

Obrigado.

Até já!

publicado por Montepuez às 17:30
01 de Novembro de 2010

1.

 

Estávamos numa roda de amigos, em plena rua junto ao café do bairro, quando um deles pediu a nossa atenção:

- Desculpem-me, façam silêncio, por favor… disse o António

E todos fizemos uma pausa, na palavra, no olhar e na atenção, para que o momento seguisse ao sabor de quem o queria fazer.

- Quero fazer-vos uma pergunta. Pensem na minha pergunta em silêncio, se fazem o favor, e respondam ponderadamente. A pergunta é a seguinte: Porque escreves? – Dirigindo, de seguida, o olhar a cada um da roda em jeito de desafio.

Continuou:

Eu já publiquei um livro. O Eduardo outro. A Ana já vai no terceiro. O Jeremias vai lançar o seu sexto livro. A Manuela acabou de apresentar o seu segundo e ao que parece continua com vontade de publicar mais e o Afonso têm cinco livros e diz-nos que acabou!

Mais silêncio… agora com os olhares a trocarem missivas por descodificar…

- Eu escrevo por amor, amor a cada gesto e a cada palavra! – disse Ana. – É uma boa razão, não é?

Fez-se de novo um silêncio apenas atrapalhado pelos poucos carros que passavam.

Escrevo porque preciso de encontrar leitores! – disse eu. – Também é uma outra boa razão.

Isso é uma boa treta, Eduardo, uma enormíssima treta. – Replicou o António. – Sabes bem que quando começaste a tua escrita não sabias da possibilidade de eles existirem.

Treta é o que vocês dizem! – Oiçam bem, se assim fosse já teria parado de escrever – disse o velho Jeremias. E aumentou o sorriso da sua cara. Com isto, captou as atenções de todos no mesmo momento e num compasso de silêncio disparou de novo:

- Escrevo porque sou vaidoso e quero que me conheçam, que falem de mim e que me considerem, de preferência, como um excelente escritor!

Seguiu-se uma cruzada de palavras.

- Calma! – berrou. – Um de cada vez. Bem sei que a verdade é sempre difícil de ouvir, e que alguns, embora se revejam nas minhas palavras têm medo de o assumir. Mas eu não! E digo-o com a frontalidade que me reconhecem.

Depois sentou-se no muro. Enquanto os outros o olhavam de pé.

- Onde diabo foste buscar essas ideias? – perguntou o Afonso.

A Manuela abanava a cabeça em negação assumida. Começava a dar sinais de impaciência.

Jeremias agora com um semblante mais sério avançou com o olhar para o grupo e de indicador em riste, mas sem nervosismo aparente, disse:

- Se não quiserem fazer uma reflexão sobre a vossa condição, sobre a vossa escrita e sobre a verdadeira razão que vos impulsiona para escreverem, nunca estarão completos e nunca saberão o que vos domina.

- Quem te disse que nunca o fizemos? – perguntou a Manuela.

- O que eu gostava, se fosse possível, era dar essa oportunidade a cada leitor. – disse eu.

- Como assim, Eduardo? – perguntou o António.

Comecei a explorar umas quantas vontades…

- E se o leitor tivesse a possibilidade, em qualquer parte do livro, de questionar o autor? Não seria de todo interessante? Ou mesmo, depois de ler cada livro, não seria oportuno criarem oportunidades de vários leitores interagirem com o escritor?

António fez um sinal com a mão e de seguida disparou:

- Meus amigos, já estamos a fugir ao desafio que aqui deixei, que relembro, consistia numa simples pergunta: Porque escreves?

 

Intervalo

 

Esta história está a ser escrita. Está, portanto, em aberto e irá continuar, mas agora é a vez de quem lê ter a palavra… por favor, escrevam o que entenderem partilhar.

 

Obrigado.

Até já!

publicado por Montepuez às 17:00
26 de Outubro de 2010

Olhos a debutar

camisa de riscas, sentado,

viaja. Na cabeça o planeta,

ao colo, amparada pelas mãos,

adormece a alegria.

Os sorrisos meninos sorvem lágrimas

de emoção. Um rouxinol entoa um cântico

e o vento soletra as letras, quando ao ouvido

dança os movimentos ignorados.

As paisagens correm, são desenhadas,

ao ritmo do falcão - peregrino

espalhadas pela planície do corpo

que abraça cada momento.

Nada é eterno,

e nos pés do passageiro

já há um traçado de ontem.

publicado por Montepuez às 19:00
25 de Outubro de 2010

Tenho o amor no olhar

Nos dedos dos cinco sentidos

 

Tenho a nascença do tempo

Nos poros da minha ânsia

 

Sou um vagabundo ávido

 

Tenho a loucura na voz

Que cala a inocência

 

E em tudo, sou um nada,

De desprezos temporais

Atado ao marco de um ontem

 

Haverá um mundo quando morrer

Para que na morte eu possa Ser.

publicado por Montepuez às 21:30
21 de Outubro de 2010

Quero dizer paz, mas digo força

Quero pensar na alegria, mas penso no desejo

Quero sorrir, mas digo pára!

 

Não faças isso, nem aquilo

Não digas mal, diz antes o bem

Não dês a cara, mas antes o beijo.

 

E quando a noite adormece, eu acordo

E desperto, vejo o brilho das estrelas

Que ensinam o caminho que recuso sempre…

publicado por Montepuez às 19:40
08 de Outubro de 2010

Quando sinto, sonho o caminho. Porque sinto

Quando sinto, florescem sorrisos. Porque sinto

Quando sinto, nascem esperanças. Porque sinto

Quando sinto, o mundo é melhor. Porque sinto

Quando sinto, o amor é intuitivo. Porque sinto

Quando sinto, sou livre. Porque sinto

É preciso sentir, e ao sentir, saber porque se sente

Porque sentir é tocar, ver e saber, a felicidade.

publicado por Montepuez às 23:10
26 de Setembro de 2010

Há no amarelo uma luz apelativa. E esta flor alimenta a simbologia dos crentes quando sorri aos olhares que a contentam. Há, nesse momento, uma troca de mensagens torneadas pela encriptação. A flor Helianthus recebe a mensagem e responde aos anseios de sucesso, fama, sorte e felicidade.  É quase uma troca justa.

Mas é o tempo que marca o passo do destino. Destino esse que desenhado num efémero Mundo e que sucumbe sucessivamente, ao mistério e ao (des)conhecimento do criador.

A história tem uma memória repleta.

Girassóis foram amplamente desenhados pelo, então coitado, pintor Vicente Van Ggh numa colecção de sete telas. Eis um detalhe: O homem, génio, viveu na miséria e cometeu o maior crime quando se suicidou.

A linha da fronteira é ténue.

Há no amarelo o outro lado da luz. Uma simbologia ignorada. Um risco de retrocesso, inglória, azar e infelicidade. Há uma realidade quase gémea da loucura sonhada e alimentada pelos impulsos dos caminhantes.

Os Girassóis são espasmos criativos, são flores e também são oportunidades. Oportunidades de olhar o único num todo e, conscientemente, extrair a mensagem que necessitámos.

Cada um que olhe por si, que leia, que escreva, e que pinte se tiver que pintar, mas que pense sempre pela sua cabeça. O Mundo avança. O tempo move-se. E nós, morremos um pouco, em cada dia que desperdiçamos.

Eis um dos textos que me faltava escrever!

 

 

Eduardo Montepuez

25 de Outubro de 2010

publicado por Montepuez às 17:00
18 de Setembro de 2010

I

 

Nas ondas dessa maré azul

dançavas ao ritmo do vento

como uma ave que na liberdade

do céu explanava a vida.

publicado por Montepuez às 23:30
04 de Setembro de 2010

É preciso viver. Sem fingimentos. É preciso

É preciso olhar o futuro. Sem constrangimentos. É preciso

É preciso ter consciência. Na plenitude. É preciso

É preciso gritar. Ruir os silêncios. É preciso

É preciso chorar. Amar e sofrer. É preciso

É preciso ser liberdade. Cantar e sorrir. É preciso

Sentir vontades, correr e parar, ser preciso

É preciso!

 

publicado por Montepuez às 14:40
02 de Setembro de 2010

Cartas para ti

 

II

 

Mesurado tempo. Embutido na palavra e na viagem que no papel se desenha. Haverá alguma forma arcaica, violeta ou tenaz de pintar as letras da saudade? Se a saudade tivesse cor, o uivo seria ácido como a laranja caída nas margens do sonho.

 

Mesurado sonho. Embutido no inconsciente da mente e na ternura do silêncio da voz opaca que rendilha a noite. Haverá alguma configuração tenebrosa, saliente e crente para avivar as letras da noite? Se a noite fosse um caminho de aventuras esventradas, já perdidas como um limão pálido e doente que morre lentamente no chão do nosso quintal. São tantos, os que morrem lentamente, como os quintais incoerentes que plantam ansiedades desfiguradas, preenchidas de dor, que na noite escondem o sofrimento.

 

Não há tempo. Não há sonho. Nem tão-pouco palavras!

 

(Já te disse inúmeras vezes)

 

Se ousares responder-me, envia pelo mensageiro um pouco de sorte, um tanto de fragmentos de histórias e muitos ventos, quero sentir a tua força e o teu amor.

 

Não te esqueças do beijo que roubei da boca da última laranja que morreu no sonho do tempo mesurado e afaga-o com esse olhar que a distância carpiu.

 

Ainda estou perdido no mesmo templo das palavras e sinto o marasmo meio cálido, quase doente, desse limão amargo que roça o trilho. Oiço esperanças. Oiço os movimentos do meu corpo que cavam um estado de ansiedades. Ainda abraço o tempo!

 

Eduardo Montepuez

publicado por Montepuez às 17:31
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