O blogue serve para dar voz e partilhar os meus escritos sejam poemas, prosas e crónicas ou outro qualquer género literário. Aqui também se divulgam os meus livros. Para quem quiser ler-me... Obrigado pela vossa carinhosa presença!
26 de Novembro de 2010

Acordei num labirinto de palavras

mas não eram palavras doces. Traziam tatuagens

de uma guerra fecunda e sórdidas tinham

punhais disfarçados de vogais. Eram afiadas

e rodopiavam na minha cabeça como quem dança

um tango. Um cansaço tórrido de gestos repetidos

os sons ritmados e as caravelas incendiadas

completavam o refrão dessa música de ninguém que

todos cantarolavam em uníssono.

Nunca saíra do labirinto de espelhos, nunca perdera

o sentimento das palavras afiadas e num ápice

adormecera para sempre… O tempo esgotara-se.

publicado por Montepuez às 21:45
18 de Novembro de 2010

Caem, abandonados, os espelhos

e estilhaçam num chão amargurado.

São aos meus olhos, diamantes, siderados

que amanhecem as lágrimas nocturnas.

Das imagens, insólito trajecto, nas mágoas

sobem ao esplendor da solidão. Moram

entre os amantes e as risadas carpidas

num abrigo pendular. Dos meus olhos,

caem metáforas, iguarias e espelhos

de diamantes lapidados dos sentidos.

publicado por Montepuez às 22:01
14 de Novembro de 2010

Quando as imagens calam as palavras…

as bocas costuram enxovais. No breu

desaguam lágrimas de solidão

e o silencio, esse maldito, alvorece. Ébrios

sentimentos se estropiam. Convergem.

Mas as imagens são um passado, consumado,

estampado na memória, que o silêncio perpétuo

há-de relembrar. Eternamente. As mesmas palavras

mudam de cor, de cheiro e de corpo

numa vida que se apaga aos poucos…

publicado por Montepuez às 09:15
09 de Novembro de 2010

Ontem assisti, por via da televisão, a um excelente jogo táctico de ambas equipas. Foi, se assim quisermos dividir, um distinto jogo de duas partes:

 

A primeira parte, onde uma substituição do árbitro principal foi o início da voz que se anunciava que este jogo seria para mais tarde recordar. Então assistimos à melhor exibição do Sporting no campeonato, só manchada pela impensável decisão de validar um golo com dois erros crassos, a saber – no lance é falta sobre o guarda-redes vimaranense e a bola não chega a entrar na baliza – mau demais para ser visto nos relvados portugueses e numa competição que se quer profissional. Em abono da verdade bem que gostaria de ter visto alguém do Sporting a ajudar o árbitro explicando-lhe que assim não vale.

 

Depois veio a segunda parte, num jogo partido de ataque dividido onde mais golos podiam ter acontecido, tudo isto, claro, com inúmeras oportunidades falhadas. Até que, a provar que, no melhor pano cai a nódoa, um jogador experiente tem uma atitude infantil, muito próxima daqueles jogos lá da minha rua nos tempos da minha juventude, que dá um pontapé a um colega de profissão, em resposta a uma cotovelada involuntária. Imprevisível e estúpida acção, com consequências óbvias para o clube da casa, que a jogar com menos um jogador perdeu a força anímica, de fugida para o adversário, e já em perda física viu o seu próprio barco afundar-se à conta de uns piratas (no melhor sentido) que jogaram futebol de uma forma fantástica, cheios de força anímica e com grande rigor táctico, e que demonstraram como se joga em contra-ataque. E de 2-0 se passou, rapidamente, para um 2-3 pouco esperado pelas hostes sportinguistas.

 

Cabe-me realçar, num todo, o excelente jogo de futebol praticado no campeonato português que trouxe também ao de cimo a falta de cultura desportiva dos adeptos que vão ao estádio, apenas e só, para verem o seu clube ganhar custe o que custar, não dando o merecido valor a um adversário digno, eficaz e que assumiu uma personalidade de um grande clube que o é.

 

Em prol do bom futebol, venham mais jogos destes, que, com estes ensinamentos, talvez a nossa visão tacanha de “clubite” se alargue para uma visão estrutural, de espectáculo e essencialmente de paixão ao futebol, que, esse sim, deverá estar sempre acima do clubismo.

 

Parabéns ao Vitória de Guimarães e obrigado pela excelente lição táctica e de postura que deixou na capital, esperando, com isso, que a mesma sirva os interesses do futebol nacional num futuro que se quer próximo.

 

Eduardo Montepuez

9 de Novembro de 2010

publicado por Montepuez às 22:30
05 de Novembro de 2010

Há dias assim. Em que queremos fugir dos infernos dos protocolos e das ameaças que a imagem nos inflige. Não sei se serão laivos de uma perfeita noção da imperfeição que somos ou da indulgência dos nossos tormentos.

Há dias em que queremos fugir do corpo coberto de regras e das afinidades da sociedade.

São instantes de uma vivência prematura e em que sabemos que cada passo é um laço com a infracção do preconceito imposto.

Mas se há dias assim, também há outros dias em que a loucura nos brinca com a sua visita, compondo um ramalhete de travessuras e rosas vermelhas para adoçar o nosso olhar, por vezes, triste.

Nessas circunstâncias há um outro corpo dentro do mesmo corpo que se solta e nos grita aos etéreos ecos da liberdade para se ser o que se quer ser. E quando assim acontece, acontece a magia e apetece-me ser Eu!

Um Eu desenvolto que conquista com o olhar as maiores certezas da humanidade e que adormece os rubros com o sorriso. Depois que nos caracteriza a verdade e a vontade e nos encaminha o sentido para um apetece-me ser Eu, para queimar as doutrinas do mal e arrecadar as armas dos destrutores, salvando o mundo das garras da ganância. Alicerçando regras, construindo caminhos e ao ser, no apetecer, transformaria em moldes românticos a cobiça e a ambição desmedida, criando a arte de entendimento entre o ego e a vontade de cada corpo. Em segredo desvendaria a harmonia do bem-estar de cada elemento que dá vida ao Universo.

Acordaria todas as manhãs com o nascer do Sol e viveria na eternidade, numa palhota, feita de barro e capim, rodeado das frutas tropicais e das memórias dos vendavais. E nas palavras, depois de soletrar um brioso “Bom-dia” diria, convicto, apetece-me ser Eu!

publicado por Montepuez às 17:30
03 de Novembro de 2010

3.

 

As hostes estavam em alerta e as leituras iam aumentando calmamente. Nós, no Salão Nobre do Palácio da Quinta da Piedade, trocávamos argumentos com a Dr.ª Roselinda. Umas quantas pessoas já ocupavam as cadeiras disponíveis e seguiam atentamente a tertúlia.

Alguém apontou para o grande ecrã onde todos podiam acompanhar o site on-line. Acabara de acontecer um primeiro comentário, de uma dama, claro, com o nome de Ana Kostov e dizia assim, e cito:

- “Em certa medida, segundo creio, todos tem razão... mas uns mais que outros porque há duas verdades fantásticas, a saber: este texto é demasiado grande para o pessoal pegar nele, ou seja, lê-lo. E a malta é mesmo vaidosa e por isso escreve e partilha.” - Ana Kostov

Após a leitura, em voz alta, pelo velho Jeremias gerou-se um burburinho no salão que ninguém percebeu muito bem se era uma reacção positiva ou negativa ao dito comentário.

O Jeremias aproveitou o uso da palavra para continuar, dirigindo-se a todos.

- Caros amigos, amantes da palavra como eu, é com agrado que reconheço alguém que não teme assumir o que anteriormente já tinha assumido. E isto é, a malta é mesmo vaidosa e por isso escreve e partilha, quer gostem ou não, considero ser uma matéria factual.

- Antes de debatermos essa tese devemos introduzir na conversa um outro comentário que aconteceu. – disse eu.

- Permitam-me que o leia. – assumiu a Manuela e começou a ler.

- “Tenho entrado pouco no Luso, só agora me apercebi desta história. Ora...Porque escrevo? Porque desde miúda sempre gostei de escrever, nessa altura, apenas porque gostava, e tinha brio em não dar erros ortográficos. Cresci e comecei a escrever, com outro prazer. Felicitações, temas de ocasião, nesta fase já escrevia em rima. Hoje, escrevo para libertar a alma, o pensamento, a depressão, a irritabilidade. Para recordar o ontem, imaginar o amanhã, sem que alguém me impeça de sonhar. O sonho é livre. A poesia também.
Portanto, escrevo para ser livre
.” – escreveu a luso-poeta  Antonieta.

Sem parar, a Manuela fez uma expressão de concórdia e partilhou:

- Direi, antes de mais, que esta intervenção é muito rica e considero que é feita com alguma profundidade. É algo que encaro com muito poético e inteligente. Penso que assumir a escrita na busca da liberdade é, por um lado, terno e por outro, conhecedor. Rico. E são estas partilhas que nos desbravam caminhos e enriquecem a alma.

- Mas quem escreve tem que ler! E porque lê? – questiona, do nada, a Dr.ª Roselinda aumentando o leque do debate.

- Calma! – alerta o velho Jeremias. Calma que a minha experiência avisa-me que existe muito boa gente que só pensa em escrever e quase nunca lê.

- Pois, pois! Por isso muita gente quando vê algum texto grande, em especial na Internet, passa para o seguinte sem o ler. – afirmou o Afonso.

- Se quiserem, mas é necessário algum trabalho de pesquisa, e até pode ser neste site, podemos encontrar muitos textos sem o mínimo de cuidado na ortografia, ou seja, cheio de erros e mesmo assim com comentários. E reforço, com comentários com uma total ausência desses factos, o que é estranho. – avançou o António.

Não havendo oportunidade para fazer no momento a análise, foi então que ficou decidido enviar mais um pequeno texto para o site. Quase num misto de partilha da conversa e na tentativa de uma maior interacção dos lusos on-line.

Não foi preciso esperar muito tempo, e isto porque a simpática e colaborante Antonieta decidiu colocar um segundo comentário:

- “É certo que de um modo geral, quando se abre algo que se pretende ler, atraído ou pelo título, ou pelo autor, ou seja porque motivo for, e se depara com um texto enorme, há logo a ideia de fechar sem ler. Mas também há títulos, há autores, há textos que nos levam a ler, pensar, reflectir, comentar, ou não, mas fica sempre algo dessa leitura.
Quem sabe, até uma ideia para uma próxima escrita, isto para quem gosta de escrever, claro.

Ao ler este comentário, a Ana, nesse instante pediu a palavra para comentar:

- Concordo em parte com esta intervenção. Há, de facto, alguns autores em que lemos tudo o que encontramos escrito por eles, mas na mesma medida, há outros autores, em que já temos uma ideia preconcebida da sua escrita, que nunca os lemos e até podem colocar imensos textos ou escreverem algo de muito especial que nada acontece! Não vamos lá!

Mas essa é uma velha questão que ninguém a pega.

- Porque vais por esse caminho? – pergunta a Manuela

 

Intervalo

 

Esta história está a ser escrita. Está, portanto, em aberto e irá continuar, mas agora é a vez de quem lê ter a palavra… por favor, escrevam o que entenderem partilhar.

 

Obrigado.

Até já!

publicado por Montepuez às 17:30
02 de Novembro de 2010

2.


António eu acho que devemos continuar a nossa interessante conversa num local mais apropriado, como é, por exemplo, a Sala Nobre do Palácio da Quinta da Piedade e até podemos trazer, para a conversa ou debate, mais autores até através da Internet, o que acham? – perguntei eu.

Parece-me bem. – respondeu a Ana de imediato

Pois eu também concordo, assim abríamos o debate aos nossos amigos da escrita. – disse a Manuela.

E tu o que achas? – perguntou o Afonso olhando para o Jeremias.

Bem! Eu adoro estas iniciativas, estar nesses espaços, ir onde a minha palavra me levar, por isso, só poderia concordar com tal ideia. – disse o Jeremias

Muito bem. Vou falar com a Dr.ª Rosalinda para tratar de marcar o espaço, arranjar uma data e hora e para providenciar a vídeo – conferência aberta a quem quiser participar. Ou então, podemos fazê-lo on-line no nosso espaço da escrita – o Luso-poemas – se todos estiverem de acordo. – disse eu.

- Claro que estamos todos de acordo. – respondeu agora o António como se já tivesse o consentimento prévio de todos.

Ok! Amanhã, depois do trabalho, encontramo-nos novamente aqui para definirmos as coisas. – Disse eu.

Cada um, após a saudada despedida, seguiu o seu caminho.

 

O dia seguinte.

 

Após meu trabalho, dirigi-me ao Salão Nobre do Palácio da Quinta da Piedade onde a Dr.ª Rosalinda esperava por mim. Durante a minha hora do almoço telefonara para acertar os detalhes da reunião e encontrara uma fantástica abertura por parte da Dr.ª Rosalinda que era a responsável pelo total dos espaços que ali existiam. Um Palácio enorme com um notável conjunto, hoje património municipal e classificado como Imóvel de Interesse Público, com um solar com características do século XVIII e interiores forrados de azulejos da época, zonas de lazer com lagos e fontanário e diversas capelas (Igreja de Nossa Senhora da Piedade, Ermida de Nossa Senhora da Piedade, Ermida do Senhor Morto e Oratório de São Jerónimo), sendo a primeira do século XVIII e as restantes quinhentistas. Estando ainda em funcionamento na Quinta uma biblioteca infanto-juvenil e uma galeria de exposições.

Enquanto conduzia em direcção aquele espaço maravilhoso, recordava as suas origens que remontam ao século XIV, quando foi instituído o Morgadio da Póvoa por Vicente Afonso Valente, cónego da sé de Lisboa. A história da Quinta está estreitamente ligada à história da Póvoa de Santa Iria, durante muito tempo chamada de Póvoa de D. Martinho de Castelo Branco, sétimo senhor da Póvoa e primeiro conde de Vila Nova de Portimão.

O património edificado actualmente existente na Quinta testemunha os diferentes períodos históricos e vivências que este espaço atravessou. Se, por um lado, são ainda visíveis os vestígios das edificações renascentistas – portal e placa epigrafada da antiga capela de Nossa Senhora da Piedade (1531) e oratório dedicado a S. Jerónimo – é do século XVIII que data o conjunto patrimonial mais notável da Quinta. As campanhas de obras do século XVIII, impulsionadas por D. Pedro de Lencastre Castelo Branco, quinto conde de Vila Nova de Portimão, originaram a construção da igreja de Nossa Senhora da Piedade, a ampliação do palácio e a sua decoração.

Mas depressa cheguei, devido ao pouco trânsito rodoviário, interrompendo assim o passeio memorial.

De sorriso, sempre aberto e espontâneo, já me esperava a Dr.ª Roselinda. Rapidamente fizemos a reunião, no que concerne aos acertos do tal evento, ficando depois em amena conversa sobre a nossa literatura. O tempo, esse incrédulo obstáculo, ficava definitivamente para segundo plano. Eram momentos destes que seduziam o meu amor pela palavra quer fossem pela forma oral ou através da escrita.

Depois de tudo acertado fui ter com os meus amigos, tal como combinado no dia anterior, para partilhar as boas novas e providenciarmos novas metas.

Ao chegar, já todos me esperavam, impacientemente, para saberem o que tinha acontecido na reunião. Contei-lhes tudo em pormenor.

Ficou combinado que teria que partilhar tudo no site Luso-poemas abrindo assim a possibilidade dos lusos em participar naquele evento devidamente preparado e tão desejado.

A data já estava marcada para o sábado seguinte com início previsto para as 15 horas.

 

O tal sábado seguinte.

 

Ainda não havia muita gente on-line apesar de já serem 15 horas. A expectativa, essa era enorme, e por parte de todo o grupo que iniciará esta aventura.

Foi colocado na primeira página do site, um texto de introdução, para atrair os usuários. Mas com o tempo a passar e sem que ninguém se atravesse a participar, apesar das leituras, até que eu avancei com o primeiro comentário, abrindo assim, as hostes para a participação massiva, e logo, com o seguinte comentário:

- António, Ana, Afonso, Manuela e Jeremias, eu bem que vos avisei, que ninguém participa porque este texto é demasiado grande... – escrevi numa entoação de provocação.

 

Intervalo

 

Esta história está a ser escrita. Está, portanto, em aberto e irá continuar, mas agora é a vez de quem lê ter a palavra… por favor, escrevam o que entenderem partilhar.

 

Obrigado.

Até já!

publicado por Montepuez às 17:30
01 de Novembro de 2010

1.

 

Estávamos numa roda de amigos, em plena rua junto ao café do bairro, quando um deles pediu a nossa atenção:

- Desculpem-me, façam silêncio, por favor… disse o António

E todos fizemos uma pausa, na palavra, no olhar e na atenção, para que o momento seguisse ao sabor de quem o queria fazer.

- Quero fazer-vos uma pergunta. Pensem na minha pergunta em silêncio, se fazem o favor, e respondam ponderadamente. A pergunta é a seguinte: Porque escreves? – Dirigindo, de seguida, o olhar a cada um da roda em jeito de desafio.

Continuou:

Eu já publiquei um livro. O Eduardo outro. A Ana já vai no terceiro. O Jeremias vai lançar o seu sexto livro. A Manuela acabou de apresentar o seu segundo e ao que parece continua com vontade de publicar mais e o Afonso têm cinco livros e diz-nos que acabou!

Mais silêncio… agora com os olhares a trocarem missivas por descodificar…

- Eu escrevo por amor, amor a cada gesto e a cada palavra! – disse Ana. – É uma boa razão, não é?

Fez-se de novo um silêncio apenas atrapalhado pelos poucos carros que passavam.

Escrevo porque preciso de encontrar leitores! – disse eu. – Também é uma outra boa razão.

Isso é uma boa treta, Eduardo, uma enormíssima treta. – Replicou o António. – Sabes bem que quando começaste a tua escrita não sabias da possibilidade de eles existirem.

Treta é o que vocês dizem! – Oiçam bem, se assim fosse já teria parado de escrever – disse o velho Jeremias. E aumentou o sorriso da sua cara. Com isto, captou as atenções de todos no mesmo momento e num compasso de silêncio disparou de novo:

- Escrevo porque sou vaidoso e quero que me conheçam, que falem de mim e que me considerem, de preferência, como um excelente escritor!

Seguiu-se uma cruzada de palavras.

- Calma! – berrou. – Um de cada vez. Bem sei que a verdade é sempre difícil de ouvir, e que alguns, embora se revejam nas minhas palavras têm medo de o assumir. Mas eu não! E digo-o com a frontalidade que me reconhecem.

Depois sentou-se no muro. Enquanto os outros o olhavam de pé.

- Onde diabo foste buscar essas ideias? – perguntou o Afonso.

A Manuela abanava a cabeça em negação assumida. Começava a dar sinais de impaciência.

Jeremias agora com um semblante mais sério avançou com o olhar para o grupo e de indicador em riste, mas sem nervosismo aparente, disse:

- Se não quiserem fazer uma reflexão sobre a vossa condição, sobre a vossa escrita e sobre a verdadeira razão que vos impulsiona para escreverem, nunca estarão completos e nunca saberão o que vos domina.

- Quem te disse que nunca o fizemos? – perguntou a Manuela.

- O que eu gostava, se fosse possível, era dar essa oportunidade a cada leitor. – disse eu.

- Como assim, Eduardo? – perguntou o António.

Comecei a explorar umas quantas vontades…

- E se o leitor tivesse a possibilidade, em qualquer parte do livro, de questionar o autor? Não seria de todo interessante? Ou mesmo, depois de ler cada livro, não seria oportuno criarem oportunidades de vários leitores interagirem com o escritor?

António fez um sinal com a mão e de seguida disparou:

- Meus amigos, já estamos a fugir ao desafio que aqui deixei, que relembro, consistia numa simples pergunta: Porque escreves?

 

Intervalo

 

Esta história está a ser escrita. Está, portanto, em aberto e irá continuar, mas agora é a vez de quem lê ter a palavra… por favor, escrevam o que entenderem partilhar.

 

Obrigado.

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publicado por Montepuez às 17:00
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