O blogue serve para dar voz e partilhar os meus escritos sejam poemas, prosas e crónicas ou outro qualquer género literário. Aqui também se divulgam os meus livros. Para quem quiser ler-me... Obrigado pela vossa carinhosa presença!
31 de Agosto de 2010

Cartas para ti

 

I

 

Há em mim um templo  de palavras. Estão todas destinadas. Embora com um tempo e um caminho que em conjunto transmitem a mensagem que é preciso transmitir naquele exacto momento. Há também um vácuo de ideias e trilhos que esperam um reino para ganharem forma. É aqui que gosto de permanecer. Onde posso fazer o destino acontecer e em que escolho o momento de parar. São estas palavras que me trazem o prazer de ser lido. Que me mostram aos olhos do leitor e permitem que este faça o seu juízo do sujeito que se esconde nas vírgulas e nos espaços preenchidos da frase.

Tenho uma casa-castelo feita de maiúsculas. Tem janelas para o mundo e é feita com telhas de interrogações para que ao deitar possa adormecer nas dúvidas da linguagem. O adormecer e as dúvidas fazem-me bem. Há também uma porta nas traseiras que dá acesso ao meu quintal de abecedários plantados nas estufas que construi debaixo dos títulos dos romances que planeei escrever quando chegar ao tempo da maturidade. Irei usar as minhas letras para criar uma linguagem própria e assim conceber um estilo único. Com as outras letras que sobrarem farei donativos. Por agora, aprendo a somar as horas, ainda quero gozar os templos dos que cresceram primeiro. Quero viver as suas memórias e aprender a ouvir as suas vozes.

  

Eduardo Montepuez

publicado por Montepuez às 12:30
22 de Agosto de 2010

Um único dia que seja quero ser escritor. E ser escritor há-de ser muito mais que publicar um, dois, três ou mais livros. Há-de ser, com suor e lágrimas, um trabalho feito de esforço e dedicação. Há-de ser uma pesquisa e uma aprendizazem constante e depois uma resposta clara nos escritos que nasçam de mim enquanto escritor.
Procuro o reconhecimento por aquilo que faço e não por aquilo que sou!
Hei-de ter uma consciência permanente e se o meu objectivo nunca ousar ser alcançado, se esse reconhecimento nunca chegar, prometo-me, com glória e fé, não desistir e, principalmente, não usar estratégias de ataque aos que melhor escrevem que eu, para chamar para mim as atenções, e assim ser colocado no mesmo patar que estes, justamente, estão.
Mas por agora só me restam duas coisas: escrever e receber todas as críticas que assim entenderem dar-me.
Um dia, um único dia que seja, hei-de ser escritor.

publicado por Montepuez às 16:04
21 de Agosto de 2010

Sei que qualquer cidadão que se preze ama o seu país. Por isso posso afirmar com toda a convicção que: - “Eu amo o meu Portugal”!

Mas por vezes numa relação de amor existem momentos que nos deixam sem forças ou com alguma dúvida. São fases baixas que aparecem para termos uma consciência maior das fases altas.

Neste preciso momento atravesso o deserto da fase baixa e não vejo um fim à vista. Sinto-me triste com as notícias que disparam quase minuto a minuto.

São os fogos que na maioria são postos pela mão do homem.

É na política que são todos tão iguais e não param de afundar o que resta…

É o futebol que tão cheio de peripécias internas agora começa a despoletar atenções internacionais com o caso caricato do seleccionador nacional. Se o alvo é o Prof. Carlos Queiroz, o mais atingido é Portugal.

E o que mais me impressiona, que amo o meu Portugal, é o facto de que os que mais lucram com a sua profissão, são precisamente os que mais acabam com este meu país. Dói ver! Sofro por nada conseguir fazer para que tudo acabe, para que as consciências se revoltem e acabem com esta miséria que nos mata aos poucos…

Que se lixem os políticos, os dirigentes e os cidadãos doentes que ateiam fogos. São todos iguais. Estou farto de assistir ao teatro dramático, estou cansado de ouvir que afinal ninguém é culpado – e se é – ainda não foi punido como deveria de o ser.

Que posso fazer? Que podemos fazer? Para mudar esta realidade que nos rasga a bandeira, que nos despe a identidade e nos tira a alma!

publicado por Montepuez às 09:00
20 de Agosto de 2010

o braço soltou um gemido. a mão misteriosa agarrou a vida. e o chapéu alto curvou-se para dar um bom dia. eram os teus olhos verdes que passavam atrelados aos óculos redondos que imitavam a minha primeira bicicleta. assisti ao sorriso do convento que do alto do seu corpo observava. a memória impulsionava o desejo, queria que este cenário viajasse no tempo. procurava infâncias de aros e berlindes ou de jogos do lenço, da corda e se possível com raízes perdidas ainda mais enterradas no tempo.

a mão fez um sinal que silenciou o braço. o chapéu foi empurrado pelo vento que chegou de forma inesperada e brusca. que loucura. toda a violência é a mais louca irmã dos momentos. os olhos verteram, pela surra, uma inominada lágrima.

fez-se noite, não para dormir, mas para fugir de mim. era preciso alguém aparecer para contar a história que nunca aconteceu. guardem segredo. se algum dia pronunciarem alguma palavra desta minha verdade a loucura gritará o vosso nome.

publicado por Montepuez às 22:40
17 de Agosto de 2010

Escrever é assumir a loucura de ir ao âmago do pensamento, adorna-lo, vesti-lo de personagens e ter a coragem de fazer o próprio parto.

publicado por Montepuez às 19:00
15 de Agosto de 2010

as noites são castradoras

castram as vontades

que desaguam em cada luar

 

as noites trazem-nos malmequeres

que desfolhamos até ao amanhecer

publicado por Montepuez às 01:20
13 de Agosto de 2010

sou um dependente das palavras. hoje numa conversa terapêutica com uma amiga entendi essa realidade. percebi claramente que preciso das palavras como uma droga, e não pensem que me iludo, não, sei que essa droga não é canalizada para uma qualquer íntima artéria da arte, até porque a qualidade da minha escrita não se deita no patamar da genialidade, mas sei e sinto que essa necessidade produz efeitos fantásticos quando corre, como sempre, para as veias que alimentam o meu ego. sou um viciado de adrenalinas e egos inflamados. preciso de sentir o peso das leituras a crescerem em mim, que parte se expande nos textos que espalho por aqui, ou por ali, com a convicção de que alguém irá ler, primeiro, e gostar depois, pois são corpo do meu corpo. preciso dos comentários, embora sem eles a vontade de expor a escrita se duplique na mesma, mas cada comentário recebido dá ânimo a este meu vício maluco. escrevam beijos e abraços ou façam críticas, construtivas ou destrutivas, não importa nada, porque serão sempre comentários importantes porque preciso deles, vistam a forma que vestirem.

há vícios piores, há disfarces melhores, mas quem sou eu para negar-me tal evidência que sinto ao partilhar o que tanto escrevo, bem ao mal, pouco importa!

publicado por Montepuez às 18:30
11 de Agosto de 2010


Num telhado de inquietudes
há mistérios por descobrir
na terra plantada


e há vida que remexe as memórias
na busca de uma descoberta adiada.

publicado por Montepuez às 21:00
09 de Agosto de 2010

olhos de luz

desbravam o caminho

 

do poema fantasiado

de corpo transcendente

 

são as letras, a nossa muralha,

que nos defende da solidão

 

de mão dada, as letras erguem,

a mensagem que é o caminho

 

para caminhar.

publicado por Montepuez às 21:40
06 de Agosto de 2010

Há uma voz que se eleva mais que as outras todas. E atada pelo cansaço da evidência, da luta perdida, mo extremo, outra voz adormece. Silêncio. Observem com alento esta dura luta de poderes que as vozes desempenham como galos carentes do poleiro.

E a permeio há futebol, muitas desconfianças polémicas, de um circo habitual que alimenta o corpo social e os olhos dos anónimos.

Atónitos uns e a esfregar as mãos outros, assiste-se ao cair do reinado dos ventos nortenhos. Abrem-se vozes internas que estremecem dissabores, de partida estão outros que outrora eram pilares do palácio e ninguém grita de amores.

Escolhem-se estratégias que fracassam e de forma apressada encontra-se num jovem o homem do leme, mas o barco em segredo que está a deriva.

 

A queda do F. C. Porto será este ano consolidada!

 

Deixo-vos o meu parecer sobre a classificação final deste campeonato que ainda nem iniciou. 2010/2011

 

  1. Benfica
  2. Sporting
  3. Sp. Braga
  4. Porto

 

Depois, se ainda se lembrarem, dirão quem afinal tinha razão!

 

 

 

publicado por Montepuez às 20:00
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