O blogue serve para dar voz e partilhar os meus escritos sejam poemas, prosas e crónicas ou outro qualquer género literário. Aqui também se divulgam os meus livros. Para quem quiser ler-me... Obrigado pela vossa carinhosa presença!
30 de Julho de 2010

Não há tempo de voltar para trás.

Entre dispersas aventuras, lutas e fúrias

dessa condição que desconhecemos ser

sempre com um egoísmo camuflado. Não há!

Quem quer fazer uma contemplação?

Ou quem quer fazer o sacrifício de melhorar

o Eu para depois ajudar a melhorar o Universo, quem?

Não há tempo! É tudo resumido ao tempo.

O tempo que se perdeu, que juntos perdemos e todos,

mas todos perderemos um dia. Que Feio!

E o António sempre a sorrir também chorou.

Sempre a brincar também alertou.

E entre a piada e o sentido fez crescer uma cultura,

o teatro. E entre o talento e a coragem Feio escreveu

a vida como uma grande lição. E agora?

Não há tempo para voltar atrás. Adeus!

publicado por Montepuez às 18:00
29 de Julho de 2010

mais que um fogo-fátuo
seria a morte do preconceito
e nesse iluminado duo
uma medalha ao peito

talvez a humanidade
a sorrir no leito.

publicado por Montepuez às 06:43
25 de Julho de 2010

Se soubesses, provavelmente os meus segredos, talvez estivesses devorada pela curiosidade de saber mais. Mas não sabes nada nem imaginas o que recordo quando pensava em ti. Os tempos eram outros, bem sei, mas a vontade era a mesma que hoje circunda o meu corpo. Os olhos esbugalhados no teu discurso acanhado ou na tua forma feminina de brincar com as outras meninas. E quando chegava a hora de nós, os rapazes, nos juntarmos para jogarmos ao bate pé, para ganharmos um beijo das meninas, centrava-me em ti e concordava com todas as parvoíces ditas pelos outros colegas, excepto se algum fosse teu pretendente também, e nessas alturas nenhuma bola me afastava daquele parque do recreio da escola. Mesmo que chovessem convites para jogar à bola. Já nessa época fazia planos e imaginava-te de mão dada comigo a correr os campos de trigo, o vale do silêncio ou o parque Eduardo VII.

Do que gostava mais, era de ver-te tão bela e cristalina como eras. Olhos de alegria, uns ténis brancos e um vestido rendado, em que por vezes era o vermelho e noutras vezes o branco, onde o sorriso captava os olhares e tu, meio tímida, reunias as tuas amigas para começarem novas brincadeiras. Imagino que me vias a olhar-te, mas fingias sempre que não davas conta de que estava por perto, mesmo quando as outras meninas segredavam-te e de soslaio olhavam para a zona onde permanecia estático, debaixo de uma árvore companheira que fazia uma sombra amiga. Só tu não olhavas. Lá estava só, tímido e ignorava todos os apelos para ir jogar pela selecção da escola. Só aceitava quando tu seguias com as outras colegas para o pavilhão da escola para apoiarem e verem a malta ganhar às selecções das outras escolas. Vocês eram uma claque organizada e belíssima que intimidava os nossos adversários e em simultâneo nos dava alento e asas, para voarmos quase por magia, para uma vitória incontestável.

Sei bem que adorava jogar, mas isso fazia-o todos os dias na escola ou no meu bairro, mas a oportunidade de estar perto de ti, mesmo longe, não era algo que deixasse ao acaso. Por vezes, parecias-me uma daquelas bonecas de porcelana, em ponto gigante, que a minha mãe tinha em casa a decorar os móveis da sala e em que nos proibia de tocar-lhes para que não às partíssemos. Comparava-te e achava-te bem mais bonita.

E um dia segui o meu caminho, porque o tempo obrigara-me a crescer, a pensar noutras aventuras e a querer consolidar um modo de vida. Perdi-te nesse momento. Terás seguido o teu caminho também, sem nunca ouvires da minha boca um elogio, dos mesmos que te dava com o olhar, naquela troca de mimos só nossos, que inventávamos num tempo inconsciente e bastante fugidio.

Hoje tudo são recordações. E o meu segredo és tu, juventude, que busco para afagar os medos e os instantâneos vagarosos que preencheram os meus passos, depois sirvo-me de pequenas doses, de pequenos episódios e regresso à normalidade atirando pela janela essa estranha comoção. De ti nada mais sei.

publicado por Montepuez às 16:46
24 de Julho de 2010

ramos fortes são como braços

num tronco que é o mundo

e ainda há um respirar que marca

um compasso – um tempo inelutável.

há folhas, caídas e outras bem no topo

que açulam o ciclo da frugalidade

e apesar das adversidades, a árvore,  ainda sobrevive

porque são as raízes que a amarram à vida.

publicado por Montepuez às 19:00
23 de Julho de 2010

não leias os meus passos que na procura do rasto ficarás perdida. nem leias os meus silêncios que na ausência das palavras ficarás confusa. não leias e nada mais.

veste-te de primavera com aquelas flores expressivas ao peito e dá um passeio ao âmago do teu olhar. respira os sons da natureza e sente-os como teus, na queda da noite que morre nos teus braços. não leias os meus pensamentos que não estou isento da imensa imperfeição, nem queiras desculpas ou laivos de um sangue esquecido. desculpa-me.

não leias o que escrevo, que o que escrevo não deve ser entendido, nem pensado na aurora da inteligência. são traços de uma arquitectura agigantada e quase invisível. tudo perdido. mas, por favor, não leias para que nunca me possas pedir o que nunca te poderei dar – explicações da criação – a mesma que um dia fugiu do criador. perdão. não leias! já te pedi imensas vezes…

publicado por Montepuez às 18:30
22 de Julho de 2010

 

comi as cavidades desse orgasmo paliativo. sobram-me sempre as invernadas da verdade, recheadas com embustices obscenas. e quando não há reles episódios desta sorumbática estadia passo fome. há atalhos que iludem a verídica concepção e nos enchem o estômago de vazios profícuos. tudo o resto é merda! como a merda que suja as palavras escondidas na mão do criador, a mesma trampa se esconde nos escombros do prosaico homem das letras que se transforma em domador de poemas inacabados.

todos os poemas são inacabados, mas os que circulam nas cavidades desse deserto de ideias são comidos pelos vírus que se fazem passar por palavras e desdobram-se, multiplicam-se, para que o tempo lhes sorva as mesmas embustices obscenas que passaram de prazo e não mataram a fome a muitos mundanos. cala-te! todos morreremos na mesma um dia.

 

 

publicado por Montepuez às 22:00

as noites acalmam o embaraço

De ser metade de ti – o outro

Só o silêncio segreda cada passo

Perdido quando me afasto – tu és

O meu corpo, a minha voz e o olhar

Que sente a verdade que deambula

Deflagrada. Só o luar desperta

A esperança de alcançar a sabedoria.

publicado por Montepuez às 20:04
21 de Julho de 2010

A chuva resvala nas rochas

da Serra do Buçaco que bebe

as intempéries do Universo

 

e no seu subterrâneo emerge

o ouro incontroverso.

publicado por Montepuez às 20:00
19 de Julho de 2010

Não penses que o muro invisível

É só teu porque não o é, não julgues

Que foges de dentro de mim porque nunca

Conseguirás sustento, sangue, suor e provento

Que não seja deste corpo que te abraça nas horas

De solidão e que amassa o mesmo pão que a tua boca

Mastiga. Não penses! Pseudónimo alienado e estéril

Que a escrita não é o órfão e o pensamento moribundo

E que todas as coisas morrem neste mundo.

 

[19 de Julho de 2010]

 

publicado por Montepuez às 20:30
18 de Julho de 2010

É preciso percorrer os caminhos deste

Alentejo profundo atravessar

Os campos de trigo e colher o suor

Das planícies, amassar esse pão perpétuo

É preciso entender a cantiga na voz

Amiga de quem trabalha o sustento

Esgarçar as ideias, sentir a dor e amar o resplendor

Viver entre esparsos momentos de uma solidão

É preciso reconhecer a pátria além-mar

Sentir na terra a vontade de viver.

 

publicado por Montepuez às 22:51
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